Caetano Veloso: Lobão (que nem sempre tem razão), Roberto Carlos e as pedras da Barra

Lobão

Lobão, em entrevista ao Jornal do Brasil, disse que não suportava mais os cariocas da Zona Sul com atitudes débeis, que o Brasil só valoriza gente feia, que Gilberto Gil possui um discurso de “repinboca da parafuseta”, que João Gilberto é supervalorizado, além de afirmar que Caetano era legal. Toda essa fúria saiu quase que concomitantemente à música que Caetano fez para Lobão. A canção se chama “Lobão tem Razão” e faz parte de Obra em Progresso, novo disco do compositor.

Em um vídeo, que está no blog oficial de Caetano, ele mostra o jornal para a platéia e comenta a ironia paradoxal entre o fato de ele produzir uma música com esse nome e as palavras ácidas do velho lobo. Caetano, com sua sabedoria e experiência de vida, sabe que esse tipo de arroubo faz parte da personalidade polêmica de Lobão e que palavras que correm mais que a boca, por vezes se chocam no muro da argumentação.

Eu adoro Lobão, respeito muito sua obra e o acho um cara inteligente. Dos mais do nosso rock (da nossa MPB). Mas, nem sempre tem razão, como o próprio Caetano fala em relação à entrevista dada ao JB. Ele tem direito de não gostar mais da Zona Sul, mas nem todos cariocas de lá são tão…ruins ! (e posso dizer de cátedra, pois morei no Rio e conheci uns cariocas bem legais de lá). Ele tem razão em achar que o Brasil valoriza gente feia, mas também valoriza gente muito linda (como diria Caê). E quero pensar neste feia metaforicamente, já que a feiúra da alma (ou personalidade) é a pior que existe.

Lobão também falou do discurso embolado e empolado de Gil. Ás vezes acho que Gil transforma-tudo-em-um-discurso-metafísico! Bom, apesar disso, ele foi fundamental para a música brasileira e continua sendo. Então, acho pouco relevante falar disso diante do monumento que é a obra do nosso ex-ministro da Cultura. Obra de diversidade musical e de lirismo muito bem construído.

E de João Gilberto, o que dizer? Bem, não gosto da voz de João Gilberto e esse é o único ponto negativo para mim. Mas conheço (pelo menos um pouco) a influência que esse homem teve para a cultura brasileira ser valorizada lá fora e para a música ser transformada aqui dentro. Violão único, divisão silábica única, além do tom de voz que deu origem à Bossa Nova, um dos nossos maiores patrimônios. Cito esses três ponto de uma forma muito rápida e rasa, claro. A influência de João vai muito além disso. Respeito quem não gosta de João Gilberto e a Bossa Nova, mas é preciso conhecer um pouco a história, para assim poder emitir uma opinião mais consistente. Sei que Lobão deve conhecer esse capítulo da nossa música e acho que suas palavras foram emitidas mais como um chamado à reflexão do que propriamente ódio. Penso que Lobão queira destruir para construir, assim como faz qualquer artista.

E Caetano é legal? Lobão disse isso, porque sabe que enfrenta um gigante que responde à altura e que ainda assim o valoriza como artista. Sabe, isso tudo é poeira jogada ao vento. Os dois são muito bons, ainda que eu prefira o santamarense.

Roberto Carlos

Dois dos maiores artistas do País, reconhecidos e valorizados mundialmente, fizeram um show histórico em homenagem a Tom Jobim. Os dois artistas vocês já sabem quais são. Roberto e Caetano, claro.

Por qual razão dois dos maiores jornais do Brasil resolveram falar mal do espetáculo? O Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo desceram o cacete e ainda transformaram Tom Jobim em artista menor. Espera aí!!! Dizer que Tom Jobim copiava as melodias de não sei quem, é querer falar mal à toa! É fato que na música as influências permeiam a obra de todo mundo. E mesmo que Jobim tenha chupado uma ou outra coisa, isso não diminui a importância da sua monumental (para usar novamente essa palavra) da sua fascinante discografia.

Estava pensando sobre o texto desses dois jornalistas e cheguei a uma conclusão, talvez até óbvia: não existe crítica musical no Brasil. Parece que todo grande artista nacional é menos do qualquer grande artista de língua inglesa. Exemplos? Porque Bob Dylan é gênio e Chico Buarque não é? Porque Gal Costa e Maria Bethânia não são consideradas Divas e Celine Dion e Mariah Carey são?  João Gilberto, Tom Jobim e Dorival Caimmy têm sua obra valorizada? Alguém viu ou leu alguma matéria relevante sobre a importância de Dorival para a música?

Porque esse fenômeno acontece? Alguém sabe me responder? Repararam quantas perguntas? Bom, se quiserem um pouco mais de profundidade sobre as carreiras desse artistas e de outros, leiam Ruy Castro, Nelson Motta e por aí vai. Esses livros podem ajudar no entendimento dessas carreiras.

Por fim, acho que ainda falta a esses “críticos” mais embasamento e lucidez, mais formação musical. Não é preciso dizer que toda música feita no Brasil é boa (e não é mesmo!), mas é preciso conhecer a história, ouvir os discos e acabar de vez com o complexo de inferioridade.

Pedras da Barra

Não entendo de arquitetura, de pedras e afins, mas sei que João Henrique (prefeito de Salvador, para quem mora fora da cidade) está tentando fazer anos de obras atrasadas. Motivo? Eleições muito próximas.

Caetano escreveu para o jornal A Tarde que essas pedras são patrimônio histórico e cultural da cidade e que não deviam ser trocadas por granito polido (é isso mesmo?). Outras vozes se juntaram a de Caetano para defender a restauração e não a retirada das pedras portuguesas.

João Henrique quer mostrar serviço, mesmo que passe por cima da história da herança cultural. Acho isso.

Essa é minha diminuta opinião sobre os casos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um pensamento sobre “Caetano Veloso: Lobão (que nem sempre tem razão), Roberto Carlos e as pedras da Barra

  1. Várias coisas:
    1 – Lobão é chato pra cacete, independente de qualquer coisa.
    2 – João Gilberto é um ícone (semioticamente falando ehhehe), mas também é chato e as pessoas beijam os pés dele por esse motivo. Eu não entendo esse culto ao “folclore” dele.
    3 – Lobão falou que o Brasil valoriza os feios no sentido físico mesmo, eu li na entrevista. Ele fala dos esquisitões parecidos com Los Hermanos. Mais uma besteira: quem valoriza esse povo é a crítica, e não o público em geral.
    4 – A dica de Ruy Castro procede.
    5 – Tirar as pedras da Barra é o maior absurdo que existe. Descaracteriza totalmente, já que elas fazem “par” com a arquitetura das balaustradas e dos fortes. O argumento é que as pedras são de difícil manutenção. Oras, é só trabalhar. Em SP e no RJ as mesmas pedras convivem normalmente com a população e ainda são patrimônio histórico.

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