1000 emoções – 201 a 300

Mais 100 músicas nessa lista que parece que não termina e ainda faltam mais 700. Pessoal, talvez alguns digam que é uma lista grande demais (como o meu compadre Rodrigo Carreiro, do blog Terra de Ninguém), mas precisava fazê-lá e está sendo muito divertido. Tenho me encontrado com o meu passado muitas vezes e sentido emoções que estavam guardadas há muito.
Façam suas listas e me enviem. Será um prazer publicá-las.

201. Wonderwall (Oasis)
202. Don’t Look Back Anger (Oasis)
203. Stand By Me (Oasis)
204. Heaven Knows I’m Miserable Now (The Smiths)
205. Like a Rolling Stone (Bob Dylan)
206. Blowin’ in the Wind (Bob Dylan)
207. Mr. Tambourine Man (Bob Dylan)
208. Subterranean Homesick Blues (Bob Dylan)
209. Just Like a Woman (Bob Dylan)
210. Lay Lady Lay (Bob Dylan)
211. Hurricane (Bob Dylan)
212. Jokerman (Bob Dylan)
213. Sara (Bob Dylan) (Bob Dylan)
214. I Want You (Bob Dylan) (disco Blonde on Blonde)
215. Naquela Estação (Adriana Calcanhoto)
216. Senhas (Adriana Calcanhoto)
217. Mentiras (Adriana Calcanhoto)
218. Esquadros (Adriana Calcanhoto)
219. Vambora (Adriana Calcanhoto)
220. Mais Feliz (Adriana Calcanhoto)
221. Carioca (Adriana Calcanhoto)
222. Maresia (Adriana Calcanhoto) (disco Público)
223. Inverno (Adriana Calcanhoto)
224. Is This It (The Strokes)
225. Será (Legião Urbana) (disco Legião Urbana)
226. Daniel na Cova dos Leões (Legião Urbana) (disco Dois)
227. Depois do Começo (Legião Urbana) (disco Que País é Esse)
228. Há Tempos (Legião Urbana) (disco Quatro Estações)
229. O Teatro dos Vampiros (Legião Urbana)
230. Sereníssima (Legião Urbana)
231. Vento no Litoral (Legião Urbana)
232. O Mundo Anda Tão Complicado (Legião Urbana)
233. Perfeição (Legião Urbana) (disco O Descobrimento do Brasil)
234. Antes das Seis (Legião Urbana)
235. Bombom (Xuxa)
236. Vou de Táxi (Angélica)
237. Malandragem (Cássia Eller)
238. Try A Little Tenderness (Cássia Eller) (disco Cássia Eller Ao Vivo)
239. Ponto Fraco (Cássia Eller) (disco Veneno Antimonotonia)
240. Palavras Ao Vento (Cássia Eller) (disco Com Você…Meu Mundo Ficaria Completo)
241. Non, Je Ne Regrete Rien (Cássia Eller) (disco MTV Acústico)
242. All Star (Nando Reis) (disco Para Quando o Arco Íris Encontrar o Pote de Ouro)
243. A Fila (Nando Reis)
244. Sonífera Ilha (Titãs)
245. Marvin (Titãs)
246. Televisão (Titãs)
247. Insensível (Titãs)
248. Não Vou Me Adaptar (Titãs)
249. Pra Dizer Adeus (Titãs)
250. Bichos Escrotos (Titãs)
251. Homem Primata (Titãs)
252. Família (Titãs)
253. Polícia (Titãs)
254. AA UU (Titãs)
255. Comida (Titãs)
256. Diversão (Titãs)
257. Miséria (Titãs)
258. O Pulso (Titãs)
259. Flores (Titãs)
260. Domingo (Titãs)
261. Nem Cinco Minutos Guardados (Titãs) (disco MTV Acústico)
262. Kiss Me (Sixpence None The Richer)
263. Sob Efeito de Um Olhar (Guilherme Arantes)
264. Planeta Água (Guilherme Arantes)
265. Meu Mundo e Nada Mais (Guilherme Arantes)
266. Brincar de Viver (Guilherme Arantes)
267. Pai (Fábio Júnior)
268. Lua (Fábio Júnior)
269. Caça e Caçador (Fábio Júnior)
270. Quando Gira o Mundo (Fábio Júnior)
271. Volta ao Começo (Fábio Júnior)
272. Rio e Canoa (Fábio Júnior)
273. Sem Limites Pra Sonhar (Fábio Júnior)
274. Love Hurts (Cher)
275. If Hurt Me Now (Daniel Estephan)
276. Eu Não Sei Dançar (Marina)
277. Pessoa (Marina)
278. O Chamado (Marina)
279. Virgem (Marina)
280. Grávida (Marina)
281. Fullgás (Marina)
282. À Francesa (Marina)
283. Inocence (Deborah Blando)
284. Sexy Iemanjá (Pepeu Gomes)
285. Eu Também Quero Beijar (Pepeu Gomes)
286. Masculino e Feminino (Pepeu Gomes)
287. Mil e Uma Noite de Amor (Pepeu Gomes)
288. Ouro de Tolo (Raul Seixas)
289. Metrô Linha 743 (Raul Seixas)
290. Gita (Raul Seixas)
291. Cowboy Fora da Lei (Raul Seixas)
292. A Maça (Raul Seixas)
293. Maluco Beleza (Raul Seixas)
294. Metamorfose Ambulante (Raul Seixas)
295. Tu És O MDC da Minha Vida (Raul Seixas)
296. Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás (Raul Seixas)
297. Caminhos (Raul Seixas)
298. Medo da Chuva (Raul Seixas)
299. Carpinteiro do Universo (Raul Seixas)
300. Sapato 36 (Raul Seixas)

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Ditados mais que verdadeiros

Dona Célia da Água Mansa é uma senhora pacata, mas quando se depara com qualquer tipo de injustiça, não mede palavras. Língua afiada, de argumentação clara e incisiva, Dona Célia da Água Mansa quando fala é porque o negócio existe. Me pediu que eu publicasse seu texto sobre figura que usa máscara de bondade. Dona Célia, sou seu fã.

Às vezes me impressiono como os ditados populares carregam uma sabedoria profunda, daquelas que nem mais uma palavra melhoraria o sentido da frase. Deus colocou no mundo seres capazes de serem amados e odiados. Convivo há algum tempo, com uma dessas peças raras que o Senhor criou e já me peguei pensando em algumas dessas frases antigas e populares.

“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, “Quem vê cara não vê coração”, são alguns dos exemplos que definem bem Tuquinha. Essa criatura é do tipo “ou é 8 ou é 80”. Quem não convive ama, pois a danada sabe bem medir as palavras. A falsidade é utilizada na dose certa. A bajulação é melimetricamente calculada e a farsa de aparentar quem não é, é dosada no conta-gotas. Ahhh, mas quem está na labuta diária com Tuquinha só tem vontade de esganar e jogar o pão bolorento que ela é, no lixo.

Pode parecer exagero, mas achava que esse tipo de pessoa só existisse na ficção científica (Alien é fichinha perto dela), ou então nas novelas das 18h ou das 20h, da Rede Globo. Odete Roitman (Vale Tudo), Laurinha Figueroa (Rainha da Sucata), Flora (A Favorita) e Frau Herta (Ciranda de Pedra), tenho certeza, foram inspiradas em Tuquinha.

Juro gente, não estou inventando, nem exagerando nada. Já cheguei a pensar que o demônio fizesse curso de infernização fantástica com ela, ou então de como gerenciar o tempo para atazanar a vida alheia. Não, definitivamente, me recuso a crer que sentimentos bons façam cócegas no coração de Tuquinha. Acho que, durante o dia, quando ela não estar torrando a paciência de algum terráqueo (tenho sérias suspeitas que este ser não seja humano), ela está anotando no bloquinho a próxima vítima e que tipo de sacanagem vai aplicar. Acho que só me resta pedir a Deus proteção, pois como diz o ditado “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Tô frita!!!

Melancolia hermana e felicidade vermelha

1. Téo e a Gaivota
2. Tudo Passa
3. Passeando
4. Doce Solidão
5. Janta
6. Mais Tarde
7. Menina Bordada
8. Liberdade
9. Saudade
10. Santa Chuva
11. Copa Cabana
12. Vida Doce
13. Saudade
14. Passeando

Ouvi esses dois discos e gostei dos dois. Vamos destrinchar um pouquinho.

A banda americana Weezer tem algo que eu gosto muito: ironia das boas. O som dos caras é pesado-leve ou leve-pesado, ao gosto do freguês. E fala sobre qualquer assunto, com espírito festivo – sinto isso. Quando li que este novo álbum era maravilhoso, corri atrás, porque não estava ciente de que a banda estava prestes a lançar um novo trabalho. Em tempos de internet, graças aos deuses, baixei o já apelidado “Red Álbum”. Somente na terceira audição amei o disco. Às vezes é difícil absorver as músicas de primeira.
Adoro as faixas “The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)” e “Troublemaker”.
Quem gosta de Weezer, não vai se arrepender.

Passando para Marcelo Camelo, ex-Los Hermanos (banda que era influenciada, entre outras, pelo Weezer), notei neste seu “Sou” um clima bem parecido com o mais fraco álbum do grupo carioca, o “4” – de clima mais denso e tristonho do que os outros, no geral. A melancolia hermana está ali, claro, mesmo que um clarão de alegria seja mostrado na faixa que abre o disco, “Copacabana”.
Camelo traz para a sua estréia gente de peso, como Dominguinhos, na faixa Liberdade. Em “Janta” (música de sonoridade Folk e que amei), Mallu Magalhães dá seu tom cool e sensual.
A estréia solo de Camelo é muito boa, mas ficou aquém do que (pelo menos eu) esperava dele.

Em tempo: Marcelo Camelo se apresenta neste domingo, 28, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.

1. “Troublemaker” – 2:44
2. “The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)”- 5:52
3. “Pork and Beans” – 3:09
4. “Heart Songs” – 4:06
5. “Everybody Get Dangerous” – 4:03
6. “Dreamin'” – 5:12
7. “Thought I Knew” (Bell) – 3:01
8. “Cold Dark World” – 3:51
9. “Automatic” (Wilson) – 3:07
10. “The Angel and the One” – 6:46

Carnaval na minha vida

Esse conto foi o primeiro da minha amiga Aline Barnabé, jornalista de primeira e contista amadora idem.
Quando li esse texto, gostei muito e sempre digo para ela escrever mais. Acho que vocês vão concordar com isso.
Aline adora música latina. Uma de suas bandas prediletas é o Maná. Das brasileiras, ela fica com Roupa Nova. Atualmente, lilica está lendo “Um diário no tempo”, de Eliana Machado Coelho.

Depois de quinze anos de casamento, me separei. Não agüentava mais a infelicidade que crescia dentro de mim a cada dia. No começo, tudo era maravilhoso. Carinhos, surpresas e alegrias completavam os cinco primeiros anos de convivência. Mas, como alguns casamentos, o meu também fracassou.

Quando me vi separada e sozinha, fiquei um pouco sem rumo. É difícil se separar e se acostumar rapidamente com isso. A gente sempre acaba se acomodando àquela pessoa ou à situação. Não conseguia imaginar minha vida daquele momento em diante. Estava com quarenta anos e sem filhos. Quando se está sozinha, sem ninguém por perto, fica mais difícil superar as dores.

Depois de muito chorar e me lamentar, decidi procurar ajuda. Comecei a fazer análise e a me sentir melhor. Passei a ver e a compreender a vida de outra forma e a ser mais segura em minhas atitudes.

Assim que, sei lá, melhorei, fui viajar. Queria conhecer outros lugares e outras pessoas, para então voltar revigorada e recomeçar.

Quando voltei da viagem, era carnaval e, então, pela primeira vez na minha vida, resolvi curtir os cinco dias de folia. Fui para Salvador, pois já tinha ouvido falar que lá o carnaval era muito bom.

Durante os dias de alegria, encontrei duas amigas dos tempos da faculdade.

Fiz sociologia, mas não completei o curso porque me casei. Nos encontramos e, como elas estavam de férias e iriam passar o tempo de folga em Salvador, também resolvi ficar. Tudo em minha volta tinha cheiro e gosto de alegria, mas, dentro de mim, algo incomodava e não me deixava ficar completamente feliz.

Esse reencontro com minhas amigas foi muito bom pra mim. Relembramos os tempos da juventude, das farras, dos namoricos. Fiquei com saudades. Infelizmente o passado não volta. O tempo passa e só ficam as doces lembranças do que fizemos e vivemos.

Conversamos também sobre nossas vidas e fiquei sabendo que todas aquelas minhas amigas tinham filhos. Fiquei com uma sensação de fracasso muito grande. Foi horrível. Todas com algo para contar e eu sem nada. Só me restava sorrir e achar tudo lindo também.

No dia seguinte, resolvemos conhecer o Pelourinho. Já conhecíamos da televisão e decidimos que não podíamos voltar para o Rio de Janeiro sem visitar o centro histórico de Salvador. Andamos muito e resolvemos sentar para descansar. Foi quando minha vida mudou com apenas um olhar.

Tive uma sensação estranha, como se já conhecesse aquela pessoa de algum lugar. Eu simplesmente parei e olhei, olhei, olhei até que minhas amigas perguntaram o que estava acontecendo. Não sabia e nem queria explicar. Muita coisa mudou dentro de mim.

Voltamos ao nosso passeio, mas eu não tinha a mesma atenção e empolgação de antes. Eu queria voltar e falar com aquele garoto que me despertou sentimentos tão confusos. Não sei direito, mas a forma como ele gesticulava e falava com as pessoas despertou meu interesse. Minhas amigas pararam para comprar algumas lembranças e eu continuei andando. Como elas estavam demorando, me sentei. Quase não consegui controlar a emoção quando o garoto sentou perto de mim. Pensamentos misturados povoaram minha mente durante segundos. Eu não sabia se levantava, se ficava, se puxava conversa ou se somente olhava sua ingênua beleza.

Na minha indecisão relâmpago, não percebi que ele falava comigo.

– Oi, de onde você é?

Uma simples pergunta que eu demorei uns dois minutos para responder.

– Eu sou do Rio de Janeiro. É a primeira vez que visito a Bahia. E você, mora aqui no Pelourinho?

– Moro e trabalho aqui.

E assim começamos a conversar e a nos conhecer. Ele falava coisas engraçadas sobre a vida, como se já tivesse passado por grandes experiências. Minhas amigas chegaram e o apresentei a elas.

Nos despedimos dele e continuamos nosso passeio, ou melhor, elas continuaram, pois eu não conseguia prestar atenção em mais nada. Estava bastante intrigada e um pouco incomodada com aquilo tudo, afinal, um garoto tinha despertado muito a minha atenção. Eu acompanhei a caminhada delas mergulhada em meus próprios sentimentos e não percebi que ele nos acompanhava a cada passo dado, olhando de longe e com curiosidade. Fomos embora e combinamos de voltar no dia seguinte.

Acordei bem cedo para ver se encontrava aquele garoto novamente. Sonhei com ele a noite toda. Um sonho meio estranho, num lugar estranho e em uma época estranha; ele era alguém muito próximo e passeávamos juntos, de mãos dadas, numa floresta ou em um bosque. No meio do pesadelo, acordei. Passei o dia inteiro intrigada com o que sonhei. Nos aprontamos e voltamos para o Pelourinho. Elas foram logo filmar e tirar foto de tudo que podiam. Sem me dar conta, alguém se aproximou, estava distraída procurando o menino e não notei que era ele mesmo que estava perto de mim.

Nos sentamos e o chamei para conversarmos um pouco. Perguntei sobre sua vida e fiquei sabendo como ela era difícil. Ele me falou de sua mãe, do seu pai, que ele não sabia onde estava, e de seus irmãos que tiveram o mesmo destino que seu pai, enfim, todos haviam sumido. Como ele era o menor, ficou ali mesmo no Pelourinho dormindo aqui e ali até que uma cafetina o pegou para criar. Ele não gostava dela, pois, além de apanhar, o pouco dinheiro de seu trabalho ficava nas mãos daquela mulher.

– Você sabe como sua mãe morreu?

– Me contaram que ela morreu quando eu nasci.

– E por que seu pai e seus irmãos foram embora?

– Meu pai foi embora porque ele não quis cuidar de meus irmãos e de mim. E meus irmãos foram embora aos poucos, eu nem lembro mais deles.

No meio de nossa conversa, chegou uma mulher gritando e perguntando o que ele estava fazendo ali, conversando, ao invés de ir trabalhar. Ele levantou para se explicar e foi empurrado até chegar em uma casa. Eu fiquei indignada com a grosseria da mulher, mas não podia fazer nada. Senti uma revolta enorme dentro de mim e, então, decidi que, se o encontrasse de novo, lhe faria uma pergunta decisiva para nossas vidas.

Fiquei sentada no mesmo lugar esperando ele aparecer. Esperei por duas horas e nada. Então resolvi dar uma volta para ver se o encontrava em algum lugar. Ele estava sentado de cabeça baixa numa praça. Me aproximei e ele sorriu. Aquele sorriso era tão especial, lindo e era só para mim. Abracei-o e, olhando nos seus olhos, perguntei se ele queria morar comigo. Ele com seus seis anos de idade, e com muita experiência de vida, me respondeu tranquilamente.

– Não quero, não, moça.

– Por quê?

– Eu não quero deixar Dona Ester. Mesmo ela brigando comigo, é ela que cuida de mim.

Eu não me conformei, pois estava certa de que ele iria aceitar. Mesmo assim, mostrei a ele como seria bom morar em outro lugar, em uma bela casa e ter escola. Depois da minha longa explicação para convencê-lo, não obtive uma resposta concreta, só consegui arrancar um “não sei”. Mesmo com sua incerteza eu nutria a esperança de ser mãe daquela criança, de um garoto que tinha sofrido muito e que merecia ser feliz.

O problema é que não parei para pensar nas conseqüências do meu pedido. Ele não sabia se queria vir comigo e a mulher que o criou não iria ceder facilmente, pois ela não iria perder uma das suas fontes de renda. Tentei conversar, mas ela ameaçou contar para a polícia que eu estava querendo roubar o filho dela. Lutei muito para conseguir, pelo menos para ter um pouco de certeza de que ele poderia ficar comigo. Mas foi tudo em vão.

1000 emoções – 101 a 200

Dando continuidade à lista que iniciei no post passado, trago agora mais 100 músicas que fizeram minha cabeça – por muitos motivos. Lembro, para quem chega agora, que a lista não traduz o que considero o melhor já feito em música (embora muitas delas sejam obras-primas para mim). Essas músicas, a despeito do meu próprio gosto musical, merecem destaque dentro da minha vida e ilustraram momentos inesquecíveis.

Quero salientar, também, que o número de músicas vai exceder – e muito – o número 1000, já que há muitos discos inteiros que foram e são importantes para mim.

Então, vamos para mais 100 canções. E não esqueçam: façam a sua lista e a envie para mim.

101. S.O.S (ABBA)
102. Dancing Queen (ABBA)
103. The Winner Takes It Wall (ABBA)
104. Home Tonight (Aerosmith) (disco Rocks)
105. Luv Lies (Aerosmith)
106. Crazy (Aerosmith) (disco Get A Grip)
107. What It Takes (Aerosmith) (disco Pump)
108. Dream On (Aerosmith)
109. Manic Monday (The Bangles)
110. Eternal Flame (The Bangles)
111. Walk Like an Egyptian (The Bangles)
112. Unconditional Love (Susanna Hoffs)
113. Killing Moon (Echo And The Bunnymen)
114. Creep (Radiohead)
115. Fake Plastic Tree (Radiohead) (disco The Bends)
116. Karma Police (Radiohead) (disco OK Computer)
117. I’m Like a Bird (Nelly Furtado)
118. O Amor Vem Para Cada Um (Zizi Possi)
119. Asa Morena (Zizi Possi)
120. Noite (Zizi Possi)
121. Blues da Fumaça no Céu (Sylvia Patrícia)
122. As Curvas da Estrada de Santos (Roberto Carlos)
123. Detalhes (Roberto Carlos)
124. Corro Demais (Roberto Carlos)
125. Every You Every Me (Placebo)
126. Outro Lugar (Milton Nascimento)
127. O Vento (Los Hermanos)
128. Primavera (Los Hermanos)
129. Último Romance (Los Hermanos) (disco Ventura)
130. Casa Pré-Fabricada (Los Hermanos) (disco Bloco do Eu Sozinho)
131. Vento Ventania (Biquíni Cavadão)
132. Impossível (Biquíni Cavadão)
133. Zé Ninguém (Biquíni Cavadão)
134. Prefixo de Verão (Banda Mel)
135. Baianidade Nagô (Banda Mel)
136. Conversa Fiada (Banda Mel)
137. Mimar Você (Timbalada)
138. Beija-Flor (Timbalada)
139. Toque de Timbaleiro (Timbalada)
140. Toneladas de Desejo (Timbalada)
141. Canto Pro Mar (Timbalada)
142. Nobre Vagabundo (Daniela Mercury) (disco Feijão com Arroz)
143. Canto da Cidade (Daniela Mercury)
144. Swing da Cor (Daniela Mercury)
145. Run Baby Run (Sheryl Crow) (disco Tuesday Night Music Club)
146. Soul Asylum (Runaway Train)
147. The Carpenters (Mr. Postman)
148. Love Song (Sara Bareilles) (disco Little Voice)
149. Seven Seconds (Neneh Cherry)
150. Diz que foi por aí (Fernanda Takai) (Onde Brilhem os Olhos Seus)
151. Boderline (Madonna) (disco Immaculate)
152. Time After Time (Cyndi Lauper) (disco Twelve Deadly Cyns… And Then Some)
153. Don’t Talk (10.000 Maniacs) (disco MTV Unplugged)
154. Sempre Será (Araketu)
155. Just My Imagination (The Cranberries)
156. Silence is Golden (Garbage) (disco Beautiful Garbage)
157. Sem Pecado e Sem Juízo (Baby Consuelo)
158. Chão de Giz (Zé Ramalho)
159. Vila do Sossego (Zé Ramalho)
160. Eternas Ondas (Zé Ramalho)
161. Frevo Mulher (Zé Ramalho)
162. Admirável Gado Novo (Zé Ramalho)
163. Mulher Nova, Bonita e Carinhosa, faz o Homem Gemer sem Sentir Dor (Zé Ramalho)
164. Avôhai (Zé Ramalho)
165. Mistérios da Meia-Noite (Zé Ramalho)
166. De Volta pro Aconchego (Elba Ramalho)
167. Felicidade Urgente (Elba Ramalho)
168. O Amanhã é Distante (Geraldo Azevedo e Zé Ramalho) (disco O Grande Encontro)
169. Moça Bonita (Geraldo Azevedo)
170. Roque Santeiro (Sá e Guarabira)
171. Retratos e Canções (Sandra de Sá)
172. Sozinho (Sandra de Sá)
173. Bye Bye Tristeza (Sandra de Sá)
174. Jade (João Bosco)
175. Kid Cavaquinho (João Bosco)
176. O Bêbado e o Equilibrista (João Bosco)
177. Lua e Flor (Oswaldo Montenegro)
178. De Corpo Inteiro (Jane Duboc)
179. Bem Que Se Quis (Marisa Monte)
180. Na Estrada (Marisa Monte) (Disco Cor de Rosa e Carvão)
181. Beija EU (Marisa Monte)
182. Ainda Lembro (Marisa Monte)
183. Amor I Love You (Marisa Monte) (disco Memórias, Cônicas e Declarações de Amor)
184. Vilarejo (Marisa Monte)
185. Pra Mais Ninguém (Marisa Monte)
186. Velha Infância (Tribalistas) (disco Tribalistas)
187. Lost In Your Eyes (Debbie Gibson)
188. No Rancho Fundo (Chitãozinho e Xororó)
189. Tieta (Luiz Caldas)
190. Amor Escondido (Fagner)
191. Borbulhas de Amor (Fagner)
192. Noturno (Fagner)
193. Mucuripe (Fagner)
194. Deslizes (Fagner)
195. Coração do Agreste (Fafá de Belém)
196. Adocica (Beto Barbosa)
197. Quatro Semanas de Amor (Luan e Vanessa)
198. Dançando Lambada (Kaoma)
199. Visions of Love (Mariah Carey)
200. Hero (Mariah Carey)

1000 emoções

Essa lista não reflete as melhores músicas já feitas pela humanidade, mas as emoções que me despertaram durantes os anos. É uma lista, que como qualquer outra, deve conter imperfeições e esquecimentos. Mas de uma coisa tenho certeza: cada música contida me fez sentir uma emoção única.

Vocês vão perceber que ao lado de algumas faixas aparece o nome do disco. Isso significa que o álbum inteiro teve uma importância para mim e que está apenas representado por uma faixa. Vão notar, também, que existem algumas músicas de um mesmo artista. Isso, pelo simples fato de que existem muitos artistas que nos emocionam com muitas músicas. Vai aparecer, também, o nome do artista que interpretou a canção, seja ele o autor ou não da música. Na maioria dos casos, é.

Este post foi inspirado no texto de Zeca Camargo, que se inspirou em livro que foi lançado nos Estados Unidos, acho. Tem sido muito divertido pensar em minha vida, nas diferentes fases que vivi, e descobrir as cores que as músicas deram a essas experiências. A música sempre acompanha nossa caminhada e não há como dissociar nossa existência dela.

A cada semana vou tentar postar 100 músicas, até completar 1000.

Mandem sua lista também, mesmo que não tenha mil músicas. Seja o número que for.

Vamos a ela?

1. Seguindo No Trem Azul (Roupa Nova)
2. Um sonho a dois (Roupa Nova)
3. Anjo (Roupa Nova)
4. Sapato Velho (Roupa Nova)
5. Dona (Roupa Nova)
6.
Everybody Hurts (R.E.M.) (disco Automatic For The People)
7. Me Abraça (Banda Eva)
8. Forgiven (Alanis Morissette) (disco Jagged Little Pill)
9. Loosing My Religion (R.E.M.) (disco Out Of Time)
10. Strange Currencies (R.E.M.)
11. Man-sized Wreath (R.E.M.) (disco Accelarate)
12. Make It All Ok (R.E.M.)
13. Bohemian Rhapsody (Queen)
14.
Quem sabe Isso Quer Dizer Amor (Lô Borges) (disco Um Dia e Meio)
15. Caçador de Mim (Milton Nascimento)
16. Aventura (Eduardo Dussek)
17. Deusa do Amor (Nelson Gonçalves e Lobão)
18. Honky Tonk Women (Rolling Stones)
19. Todo Sentimento (Chico Buarque)
20. Vai Passar (Chico Buarque)
21. Equalize (Pitty) (disco Admirável Chip Novo)
22. Aquele Jeito (Brava) (disco Brava)
23.
Olhos de Jade (Beto Guedes)
24. I Could Die For You (Red Hot Chili Peppers)
25. Give It Away ((Red Hot Chili Peppers)
26. Tigresa (Caetano Veloso)
27.
Nine Of Ten (Caetano Veloso) (disco Transa)
28. Queixa (Caetano Veloso)
29. O Quereres (Caetano Veloso)
30. Língua (Caetano Veloso)
31. Podres Poderes (Caetano Veloso)
32. Sampa (Caetano Veloso)
33. Nosso Estranho Amor (Caetano Veloso)
34. O Estrangeiro (Caetano Veloso)
35. Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
36. Disseram Que Eu Voltei Americanizada (Caetano Veloso) (disco Circulado Vivo)
37. Céu de Santo Amaro (Caetano Veloso e Flávio Venturini)
38. O Que Será (À Flor da Pele) (Chico Buarque)
39. Samba de Orly (Chico Buarque)
40. Samba do Grande Amor (Chico Buarque)
41. Cotidiano (Chico Buarque)
42. Bye, Bye, Brasil (Chico Buarque)
43. Deixe a Menina (Chico Buarque)
44. Feijoada Completa (Chico Buarque)
45. Construção (Chico Buarque)
46. Terezinha (Chico Buarque)
47. Até o Fim (Chico Buarque)
48. Meu Caro Amigo (Chico Buarque)
49.
Valsinha (Chico Buarque)
50. Adia (Sarah Maclachlan) (disco Surfacing)
51. Patience (Guns and Roses)
52. Don’t Cry (Guns and Roses)
53. Since I Don’t Have You (Guns and Roses)
54. Ilusão (Sandy e Junior)
55.
Não Dá Pra Não Pensar (Sandy e Junior)
56. O Amor Perfeito Pro Amor Viver (Sandy e Junior)
57. Quatro Estações (Sandy e Junior)
58. Cadê Você Que Não Está (Sandy e Junior)
59.
Somewhere Only We Know (Keane) (disco Hopes and Fears)
60. Trouble (Coldplay) (Parachutes)
61.
At Your Side (The Corrs) (disco The Corrs Unplugged)
62. Meu Erro (Os Paralamas do Sucesso)
63. Quase um Segundo (Paralamas do Sucesso)
64. Romance Ideal (Paralamas do Sucesso)
65. Caleidoscópio (Paralamas do Sucesso)
66. Uma Brasileira (Paralamas do Sucesso)
67. Alagados (Paralamas do Sucesso)
68. Assaltaram a Gramática (Paralamas do Sucesso)
69.
Amolação (Skank) (disco Calango)
70. Raiders of the Lost Ark (John Williams)
71.
Malandrinha (Edson Gomes)
72. O Tempo Não Pára (Cazuza)
73. O Nosso Amor a Gente Inventa (Cazuza)
74. Eu Queria Ter Uma Bomba (Cazuza)
75. Subproduto do Rock (Cazuza)
76. Todo Amor Que Houver Nessa Vida (Cazuza)
77. Faz Parte do Meu Show (Cazuza)
78. Só as Mães São Felizes (Cazuza)
79. Down em Mim (Cazuza)
80. Bilhetinho Azul (disco Barão Vermelho)
81. Blues do Iniciante (Cazuza)
82. A Vida é Doce (Lobão) (disco A Vida é Doce)
83. Codinome Beija-Flor (Cazuza)
84. Blues da Piedade (Cazuza)
85. Ideologia (Cazuza)
86. Boas Novas (Cazuza)
87. Exagerado (Cazuza)
88. Culpa de Estimação (Cazuza)
89. Solidão que Nada (Cazuza)
90.
Completamente Blue (Cazuza)
91. Does Anyone Know (Scorpions)
92. You And I (Scorpions)
93. Wind of Change (Scorpions)
94. Under The Same Sun (Scorpions)
95. Silence is Golden (Garbage) (disco Beautiful Garbage)
96. Human (Pretenders)
97. Talk of The Town (Pretenders)
98. Kid (Pretenders)
99. Back On The Chain Gang (Pretenders)
100.
I’ll Stand By You (Pretenders)

 

 

 

 

 

 

 

 

Stephenie Meyer e o desejo feminino

Stephenie Meyer é membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e é daquelas que nunca viram filmes de terror. Um belo dia, ao sonhar com uma garota que se encontra no meio da madrugada com um vampiro, resolveu escrever o primeiro livro da tetralogia que se tornaria sucesso no mundo todo: Crepúsculo. O livro já virou um filme e deve ser lançado no Brasil em breve.

Faz um mês que terminei de ler o romance. Não o considerei um clássico ou não tive a sensibilidade para perceber que um dia possa se tornar? Não sei. Só sei que corri atrás do livro porque sou fascinado por histórias com vampiros. Quem leu o texto sobre Buffy, pôde constatar. E sim, gostei do livro.

 

Lendo o livro pude perceber que é mais do que uma história sobre esses seres das trevas e sua relação com os humanos. Stephenie cria novos mitos, como a suposta aversão dos vampiros à luz do sol. Na imaginação de Meyer, os vampiros fogem da luz solar porque se tornam reluzentes demais quando expostos ao sol, o que denunciaria sua natureza não-humana. Isso fica explícito na passagem na qual Bella Swan (a mocinha adolescente do romance) tem um encontro ao ar livro com Edward Cullen (o belo vampiro, também adolescente).

 

Como disse no parágrafo anterior, o livro é mais do que o choque cultural entre dois mundos. O livro traz escondido o desejo feminino pelo perigo, pelo sedutor, pelo risco, pelo mistério. Nessa minha pouca experiência de vida, ficou clara a motivação feminina por um certo tipo de homem que traz consigo algumas interrogações em cima da cabeça, até uma certa melancolia (?) no olhar. Não precisa usar jaqueta de couro e um cigarro no canto da boca. Basta ser misterioso, um tanto evasivo e talvez….um pouco safado. Isso não faz dele um canalha, mas traz algo de interessante a desvendar.

Tem um momento que Bella diz, perplexa:

 

 

“De três coisas eu estava convicta. Primeira, Edward era um vampiro. Segunda, havia uma parte dele – e eu não sabia que poder essa parte teria – que tinha sede do meu sangue. E, terceira, eu estava incondicionalmente e irrevogavelmente apaixonada por ele.”

 

Não só Bella caiu de amores pelo jovem morto-vivo, mas a escola inteira localizada em Forks, cidade na qual se passa a história.

 

Outras obras com os dentuços provam a atração que eles despertam nas fêmeas que encontram pelo caminho. No filme Drácula, de Bram Stoker, dirigido pelo genial Francis Ford Copola, Nina é atraída de forma irrevogável pelo Drácula vivido por Gary Oldman. Na série Buffy – a caça-vampiros, a bela heroína tem em Angel, vampiro dividido entre o bem e o mal, o amor da sua vida. Cito outro exemplo: A hora do espanto, de 1985, dirigido por Tom Holland. A lista é muito maior.

 

Não quero criar uma nova teoria, até porque ela já é velha e bem conhecida. O vampiro é símbolo do mundano, da lascívia, e em nossa atual realidade de doenças sexualmente transmissíveis, está bem popular. Afinal, é pelo sangue que o vampiro “contamina” sua vítima.

 

Creio que Stephenie tenha sonhado com um encontro sensual à noite, talvez porque ela mesma tenha nos vampiros um símbolo sexual, que dentro da realidade diária da escritora seja o cara misterioso citado lá em cima. Mas, é apenas uma teoria.

 

 

 

 

 

Mulher

Esta poesia foi enviada por minha amiga Cássia Fonseca.
Ela recomenda qualquer filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar e diz que está ouvindo muito a cantora Amy Winehouse.

Tragam-na de volta
Ela a Mulher
O útero o fixo o fluxo da vida
O que há de vicissitude
O que há de mais belo
A Mulher traz consigo a vida…
O transformar da vida e não se encerra no começo de outra vida
A Mulher é o movimento ativo da vida, com ela transcende-se outra vida Concomitantemente com sua pluralidade e singularidade.
O que há de tão fascinante?
Será o mistério que envolve sua silhueta. Ou será a menstruação de cada lua cheia! Ou pode ser a dor de sentir-se possuída.
Possuída por mistérios!
Possuída pela sabedoria!
Possuída pela gravidez!
Possuída pela vida!
Cansada e fadada pela sua condição de fêmea
Mãe! Mamífera!
Submissão a esmo…
A Mulher, Amazona sem vaidade e peitos de macho ferozes e sangrentos seios Castigados por travadas lutas de fígado na boca.
Tragam-na de volta!
Ela o útero!
O endométrio sangrando a cada lua cheia…
O desvelar da vida!
O desvelar do ser envolto em ri tuas!
O desvelar do sei lá o que…
Que venha ela com sua silhueta cheirando ao movimento do zambé
Trazendo vida em tudo que há vida…

Caetano Veloso: Lobão (que nem sempre tem razão), Roberto Carlos e as pedras da Barra

Lobão

Lobão, em entrevista ao Jornal do Brasil, disse que não suportava mais os cariocas da Zona Sul com atitudes débeis, que o Brasil só valoriza gente feia, que Gilberto Gil possui um discurso de “repinboca da parafuseta”, que João Gilberto é supervalorizado, além de afirmar que Caetano era legal. Toda essa fúria saiu quase que concomitantemente à música que Caetano fez para Lobão. A canção se chama “Lobão tem Razão” e faz parte de Obra em Progresso, novo disco do compositor.

Em um vídeo, que está no blog oficial de Caetano, ele mostra o jornal para a platéia e comenta a ironia paradoxal entre o fato de ele produzir uma música com esse nome e as palavras ácidas do velho lobo. Caetano, com sua sabedoria e experiência de vida, sabe que esse tipo de arroubo faz parte da personalidade polêmica de Lobão e que palavras que correm mais que a boca, por vezes se chocam no muro da argumentação.

Eu adoro Lobão, respeito muito sua obra e o acho um cara inteligente. Dos mais do nosso rock (da nossa MPB). Mas, nem sempre tem razão, como o próprio Caetano fala em relação à entrevista dada ao JB. Ele tem direito de não gostar mais da Zona Sul, mas nem todos cariocas de lá são tão…ruins ! (e posso dizer de cátedra, pois morei no Rio e conheci uns cariocas bem legais de lá). Ele tem razão em achar que o Brasil valoriza gente feia, mas também valoriza gente muito linda (como diria Caê). E quero pensar neste feia metaforicamente, já que a feiúra da alma (ou personalidade) é a pior que existe.

Lobão também falou do discurso embolado e empolado de Gil. Ás vezes acho que Gil transforma-tudo-em-um-discurso-metafísico! Bom, apesar disso, ele foi fundamental para a música brasileira e continua sendo. Então, acho pouco relevante falar disso diante do monumento que é a obra do nosso ex-ministro da Cultura. Obra de diversidade musical e de lirismo muito bem construído.

E de João Gilberto, o que dizer? Bem, não gosto da voz de João Gilberto e esse é o único ponto negativo para mim. Mas conheço (pelo menos um pouco) a influência que esse homem teve para a cultura brasileira ser valorizada lá fora e para a música ser transformada aqui dentro. Violão único, divisão silábica única, além do tom de voz que deu origem à Bossa Nova, um dos nossos maiores patrimônios. Cito esses três ponto de uma forma muito rápida e rasa, claro. A influência de João vai muito além disso. Respeito quem não gosta de João Gilberto e a Bossa Nova, mas é preciso conhecer um pouco a história, para assim poder emitir uma opinião mais consistente. Sei que Lobão deve conhecer esse capítulo da nossa música e acho que suas palavras foram emitidas mais como um chamado à reflexão do que propriamente ódio. Penso que Lobão queira destruir para construir, assim como faz qualquer artista.

E Caetano é legal? Lobão disse isso, porque sabe que enfrenta um gigante que responde à altura e que ainda assim o valoriza como artista. Sabe, isso tudo é poeira jogada ao vento. Os dois são muito bons, ainda que eu prefira o santamarense.

Roberto Carlos

Dois dos maiores artistas do País, reconhecidos e valorizados mundialmente, fizeram um show histórico em homenagem a Tom Jobim. Os dois artistas vocês já sabem quais são. Roberto e Caetano, claro.

Por qual razão dois dos maiores jornais do Brasil resolveram falar mal do espetáculo? O Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo desceram o cacete e ainda transformaram Tom Jobim em artista menor. Espera aí!!! Dizer que Tom Jobim copiava as melodias de não sei quem, é querer falar mal à toa! É fato que na música as influências permeiam a obra de todo mundo. E mesmo que Jobim tenha chupado uma ou outra coisa, isso não diminui a importância da sua monumental (para usar novamente essa palavra) da sua fascinante discografia.

Estava pensando sobre o texto desses dois jornalistas e cheguei a uma conclusão, talvez até óbvia: não existe crítica musical no Brasil. Parece que todo grande artista nacional é menos do qualquer grande artista de língua inglesa. Exemplos? Porque Bob Dylan é gênio e Chico Buarque não é? Porque Gal Costa e Maria Bethânia não são consideradas Divas e Celine Dion e Mariah Carey são?  João Gilberto, Tom Jobim e Dorival Caimmy têm sua obra valorizada? Alguém viu ou leu alguma matéria relevante sobre a importância de Dorival para a música?

Porque esse fenômeno acontece? Alguém sabe me responder? Repararam quantas perguntas? Bom, se quiserem um pouco mais de profundidade sobre as carreiras desse artistas e de outros, leiam Ruy Castro, Nelson Motta e por aí vai. Esses livros podem ajudar no entendimento dessas carreiras.

Por fim, acho que ainda falta a esses “críticos” mais embasamento e lucidez, mais formação musical. Não é preciso dizer que toda música feita no Brasil é boa (e não é mesmo!), mas é preciso conhecer a história, ouvir os discos e acabar de vez com o complexo de inferioridade.

Pedras da Barra

Não entendo de arquitetura, de pedras e afins, mas sei que João Henrique (prefeito de Salvador, para quem mora fora da cidade) está tentando fazer anos de obras atrasadas. Motivo? Eleições muito próximas.

Caetano escreveu para o jornal A Tarde que essas pedras são patrimônio histórico e cultural da cidade e que não deviam ser trocadas por granito polido (é isso mesmo?). Outras vozes se juntaram a de Caetano para defender a restauração e não a retirada das pedras portuguesas.

João Henrique quer mostrar serviço, mesmo que passe por cima da história da herança cultural. Acho isso.

Essa é minha diminuta opinião sobre os casos!