Os 50 anos da garota material

Para quem está chegando agora no Vinil Digital, deve estar achando estranho tantas postagens do mês de agosto. Bom, todos estes textos foram escritos para meu meu outro blog, atualmente extinto. Resolvi, então, republicar parte das postagens. Esse é o novo Vinil Digital, que tem como primeiríssimo post uam análise rápida sobre Madonna.

Muita coisa vem por aí. Espero que este blog seja uma ponte binária de discussões, debates, dicas, trocas culturais. Bem-vindos!!!   

Ela vinha descendo as escadas em um vestido longo e rosa. Duas fileiras de homens aos seus pés. Sua imagem era um pastiche de Marilyn Monroe no filme “Os Homens Preferem as Loiras”, mas era Madonna. E foi com esse clipe, de 1985, que eu, pela primeira vez, senti as emanações dos hormônios circularem as veias e a mente. Eu tinha por volta dos 8 anos de idade. Hoje, tenho 30 e Madonna acabou de fazer, no dia 16 de agosto, 50 anos.

Seus clipes causaram polêmica e serviram de inspiração para outros artistas.. “Like a Prayer” (1989) desafiava os dogmas da Igreja ao colocar um santo negro apaixonado pela musa. “Vogue” (1990), dirigido pelo cineasta David Fincher, exala luxo e sensualidade. As feministas retrógradas odiariam “Express Yourself”: muitos músculos para o gosto delas. Aliás, qual clipe de Madonna as feministas ultrapassadas não odiariam? E ainda tem “Fever”, que o Red Hot Chili Peppers copiou em “Give it Away”; suas imagens são, novamente, fortes e sexuais. “Erotica” é sadomasoquista e bissexual. E tantos outros que se tornaram clássicos. Os vídeos de Madonna sempre trazem a provocação e a mudança estética.

Por mais que eu não veja Madonna como uma das minhas artistas prediletas (teve um momento que eu fui do time de Cindy Lauper), é inegável que ela é fundamental para a cultura pop, ou melhor, para a cultura.. No livro “Sexo, Arte e Cultura Americana”, a antropóloga Camille Paglia (que em artigo recente, fez elogios rasgados a Daniela Mercury) disseca a importância da artista: músicas, clipes, atitude, moda. Não se pode acompanhar a evolução dos costumes sociais, nesse caso o sexo em primeiro lugar, sem citar Madonna como referência. Mas, atualmente, parece que Madonna, aos olhos da intelectual, perdeu o posto de “futuro do feminismo”. Camille criticou duramente a capa do novo disco da cantora, “Hard Candy”: “…com aquela virilha exposta de forma ostensiva e a cara toda chupada, a revirar a língua (…), insistindo no sexo como se este fosse a última e desesperada razão para alguém comprar [discos dela]”.

Quando Marília Gabriela citou, em uma entrevista, que achou Madonna mais esperta do que inteligente, quando a entrevistou, isso me pareceu implicância por algum detalhe. Mas acho que a observação da jornalista é pertinente. Madonna, para mim, a despeito da sua importância no cenário cultural, possui mais o instinto para a transgressão do que uma observação “erudita” dos costumes. Claro, sua visão de mundo moldou sua carreira, seus vídeos, suas letras, sua atitude corajosa. Nisso há inteligência. Mas Madonna, mesmo tendo total consciência de tudo que representou, tem muito menos substância do que dois representantes da nossa cultura que moldaram um movimento que mexeu com a estrutura da nossa música e sociedade: a Tropicália. Os dois artistas, vocês sabem quem são.

Nesses 50 anos da sempre em forma Madonna, precisamos nos perguntar o que ela ainda traz de idéia para o mundo da arte. Será que ainda vale tudo que gira em torno dela? Será que ainda permanece uma artista provocadora, desafiadora? Será que não se transformou em uma cópia de sua própria ousadia? Os últimos trabalhos da artista que ouvi e vi (clipes) me agradaram, mas já não me parecem tão instigantes quanto antes. Li alguns textos sobre “Hard Candy” que foram elogiosos. Eu gostei, mas não colocaria entre os melhores da minha discoteca este ano.

Enfim, quando falamos de Madonna é preciso estar atento ao próximo passo. E de qualquer forma seu passado merece extremo respeito.

 

 

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