Uma paixão eterna

Joss Whedon ao lado de Sarah Michelle Gellar e do elenco

 

Desde que me lembro, eu, pequeno na cadeira da escola, gostava de desenhar uns rostos redondos com dentes pontiagudos, que às vezes continham asas de morcego. Eram certamente próximos dos vampiros.

 

Essa introdução talvez seja uma espécie de presságio para o que seria (ainda é) minha futura paixão: Buffy, a Caça-Vampiros.

 

A primeira vez que vi Buffy foi em um filme medíocre que teve estréia no ano de 1992 e foi dirigido por um dos produtores executivos da futura série, Fran Rubel Kuzui. A heroína era interpretada por Kristy Swanson, mas o elenco tinha atores tarimbados e alguns que seriam consagrados alguns anos mais tarde. Eram eles: Donald Sutherland, Rutger Hauer, Luke Perry, Hilary Swank, Paris Vaughan, David Arquette, Ben Affleck, entre outros.

 

Se dependesse desse filme para me apaixonar pelo universo de Buffy, certamente não estaria escrevendo esse texto – apesar do roteiro do longa ter sido escrito pelo criador da série, Joss Whedon. O próprio Whedon disse, em entrevista, que o resultado final não foi aquilo que ele tinha pensado. O filme tem o colorido pop que todos conhecemos, tem a centelha do que viria ser o seriado, mas a qualidade do texto passa a quilômetros de distância da densidade do show televisivo.

Depois dessa frustrante estréia, cinco anos depois, mas precisamente em abril de 1997, Buffy, a caça-vampiros surge na televisão. A idéia de Whedon era subverter os conceitos, dar à loira – que sempre é perseguida pelo assassinos – poderes e extrema inteligência para destruir o mal. Nesse caso, vampiros e demônios. E até mesmo pessoas, embora Buffy nunca tenha matado um ser humano.

 

Leia o que Whedon disse certa vez:

 

“Eu criei a série para provocar essa reação forte, criei ‘Buffy’ para ser um ícone, uma experiência emocional, para ser amada de um modo que outras séries não conseguiam ser. É sobre a adolescência, a fase mais importante, quando se amadurece e se torna um adulto, e a série mitifica isso de uma forma tão romântica, que basicamente diz: ‘Todo mundo que sobreviver à adolescência é um herói’. E isso é bastante pessoal, que as pessoas sintam algo com a série que é tão real. Eu não poderia ser mais pomposo, mas eu tive essa intenção, eu queria que ela fosse um fenômeno cultural. Queria que houvesse bonecas, Barbies com faixas de kung-fu. Eu queria que as pessoas abraçassem a série de uma forma além do normal ‘é um ótimo seriado sobre advogados, agora vamos jantar’. Eu queria que as pessoas a tornassem interior, que fantasiassem de estarem na série, que fosse mais do que um seriado de TV. E nós conseguimos isso”.

 

O que Joss Whedon disse acima se aplica a mim! Ele realmente conseguiu!!!

 

A rede Globo começou a transmitir o seriado no mesmo ano, às 14h15min da tarde. A primeira vez que vi, simplesmente me apaixonei. Confesso que Sarah Michelle Gellar roubou meu coração, mas depois, com o tempo, os personagens e a mitologia da série me tomaram de um jeito que esse produto da cultura pop e todas as referências contidas nos episódios – da literatura aos quadrinhos, passando pelo cinema e filosofia – me absorveram como nenhum outro audiovisual.

 

Quando a Globo resolveu tirar a série do ar, eu me desesperei. Soube que tinha mudado para um horário “nobre” do início da manhã: às 5, mais ou menos. E eu ficava acordado, no afã de conseguir ver mais um episódio. E….nada! Não era sempre que passava. Aí, desisti e fui procurar informações em revistas (Sci-fi). Mais tarde, com a TV a cabo em casa, retomei minha missão e mergulhei novamente.

 

Passei a acompanhar semanalmente as aventuras daquela turma da cidade de Sunnydale, que se autodenominava Gang do Scooby. Muitas vezes ri das tiradas de Xander Harris (Nicholas Brendon), fiz cara de ternura com a inocência nerd de Willow Rosenberg (Alyson Hannigan) e me vi muitas vezes na pele de Rupert Giles (Anthony Head) por sua paixão pelos livros e quis ter um pouco da sua sabedoria do mundo mágico. Mas não me identifiquei somente com os “ditos” personagens bons – e vemos no desenrolar da série, que o “lado negro” faz parte deles também. Willow, na sexta temporada sabe muito bem disso. Talvez tenha sido a pior vilã que passou por Sunnydale.

 

Me identifiquei com o vampiro Spike (James Masters) em determinado momento, pela sua determinação em ser melhor e pelo seu passado de poeta não reconhecido. Angel (David Boreanaz) somos tos nós lutando contra nosso mostro interior. Cordélia, a adolescente preconceituosa, no fundo esconde uma compaixão pela pessoas. E por aí vai.

Um livro de filosofia foi escrito sobre a série: “A Caça-Vampiros e a Filosofia – Medos e Calafrios em Sunnydale”. Coordenado por William Irwin, a obra traz uma coletânea de textos que analisa a filosofia presente na série. Eu li duas vezes. Um dos filósofos diz: não posso fazer você gostar da série, é algo pessoal. Ele tem razão, mas para que se emita uma opinião razoável sobre as qualidades ou falhas do seriado, é necessário mais do que um “que historinha boba sobre vampiros e monstros!”. Particularmente, e serei redundante depois de tudo que já disse aqui, acho a série extremamente bem escrita, bem dirigida e com atuações grandiosas. Por isso peço aos que não conhecem, que vejam alguns episódios. Tenho certeza que Buffy já se estabeleceu com um dos clássicos da cultura (pop ou não, tanto faz).

 

Foram sete temporadas deliciosas. Esperava cada episódio com uma angústia incrível. Lia tudo que podia. Mas, chegou ao fim, em maio de 2003 com o episódio “Chosen”. Maravilhoso, chorei. Era o fim da série, mas podia ser reprisada sempre que eu quisesse (internet). Até hoje vejo Buffy e como todo universo, as descobertas nunca terminam.

 

 

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6 pensamentos sobre “Uma paixão eterna

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