Entrevista Fernanda Noronha – parte 2

6. VOCÊ UTILIZA O DOWNLOAD PARA ESTAR ATUALIZADA EM TERMOS MUSICAIS?
QUAL SUA IDÉIA SOBRE O COMPARTILHAMENTO DE MÚSICAS PELA A INTERNET? PODE AJUDAR O ARTISTA?

Fernanda: Bem, pra falar a verdade eu não utilizo muito o “download” para me atualizar musicalmente. Normalmente eu vou nas tradicionais lojas de Cds e vejo os álbuns que foram recentemente lançados. O que me interessa, normalmente eu compro e levo para casa para ouvir com calma e estudar. Com relação ao compartilhamento de músicas pela Internet, para o compositor, esses avanços tecnológicos algumas vezes acabam prejudicando-o porque uma pessoa vai na Internet e baixa uma música. Daí essa pessoa gosta da canção e envia a mesma para terceiros, faz cópias com essa música, pode até vender um Cd com essa música etc… quem irá recolher os direitos autorais do compositor? Dessa forma, a arrecadação de direito autoral fica cada vez mais dispersa e o autor é quem perde com isso. Para o intérprete, é mais uma forma de divulgação do seu trabalho e é um saldo positivo porque uma canção divulgada na internet passa a ficar mais conhecida ainda e vai para o mundo todo. Daí o intérprete fica mais conhecido, acaba vendendo mais shows e com um preço mais valorizado, já que o seu nome fica notório na mídia, com essa divulgação.

7. O QUE SIGINIFICA A MÚSICA COMO ARTE PARA VOCÊ?

Fernanda: Acho que a música pode ser vista como arte a partir do pressuposto que uma obra de arte exige que haja o cuidado desde a sua composição até a finalização da mesma. Quando uma música é elaborada com um critério de lapidação nos arranjos dos instrumentos, na direção vocal e quando se vê que houve uma preocupação especial com a mesma, eu vejo esse resultado como uma obra de arte, que pode ser apreciada e analisada por qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo. Acho que música deve ser vista dessa forma para quem trabalha com a mesma profissionalmente.

8. CITE ALGUNS ARTISTAS IMPRESCINDÍVEIS, AQUELES QUE VOCÊ REVERENCIA EM QUALQUER ÉPOCA, SEJA BRASILEIRO OU ESTRANGEIRO.

Fernanda: Bem, sem sombra de dúvidas a minha maior influência e meu “amor” é Stevie Wonder. Quem me conhece já sabe. Tenho todos os álbuns, camisas, caixinha de maquiagem com foto dele, DVD e o que mais alguém possa imaginar. Sou literalmente fã desse músico, compositor, intérprete e arranjador brilhante, mas também não posso deixar de mencionar outros grandes músicos que fazem parte da minha influência como intérprete e compositora, como por exemplo a Leni Andrade, a Elis Regina, a Sarah Vaughan, o Tom Jobim, o Chico Buarque, o Caetano Veloso e tantos outros. Acho uma injustiça eu não poder mencionar tantos mestres da música que eu já ouvi e tanto aprendi mas me lembrei desses agora.

9. VOCÊ UTILIZA OUTRAS ARTES PARA ALIMENTAR SUA MÚSICA (LITERATURA,
PINTURA ETC)? PARA VOCÊ, AS ARTES ESTÃO LIGADAS, APESAR DAS DIFERENÇAS ÓBVIAS?

Fernanda: Sim e uso muito a literatura como alimento para a minha música. Sou formada em Letras com inglês, então eu gosto demais de literatura. Sempre quando eu acho que meu vocabulário vai ficando meio “mixuruca” eu pego meus livros de literatura e me derramo nas poesias, contos e versos dos poetas brasileiros e portugueses. Depois as idéias fluem de uma forma tão rápida... mas o poder da leitura faz isso... permite que o processo criativo seja mais fecundo e é um alimento muito bom para o compositor. Com relação à segunda pergunta, acredito que há sempre relação entre as artes. Todas as artes são geradas ao redor do universo e para o universo… também acredito que todas as artes se originam de um mesmo processo que é a criatividade, seja ela a obra literária, a obra lítero-musical, a pintura etc….acho que as mesmas fazem parte do mesmo “inconsciente coletivo”  e existem porque provocam reações e sentimentos distintos no universo de cada indivíduo.

10. FALE SOBRE O JABÁ NAS RÁDIOS. O QUE SIGNIFICA PARA VOCÊ?

Fernanda: Bem, esse assunto é um pouco delicado para se comentar. Eu, particularmente, nunca precisei pagar “jabá” nas rádios. Quando minha música de trabalho foi tocada nas rádios, os tramites de divulgação foram feitos entre minha gravadora e as rádios. Acho que música é algo tão grandioso, um meio tão divino e universal de comunicação que todas as “boas” canções (Falo “boas” quando a letra e a melodia são elaboradas respeitando o ouvinte, sem uso de impropérios e linguagem capciosa) deveriam ser tocadas nas rádios e nos veículos de comunicação sem qualquer ônus. O jabá acaba prejudicando aqueles artistas que têm talento mas não têm recursos e por vezes um artista deixa de mostrar o seu talento por não ter dinheiro e o pagamento desse jabá acaba definindo que tipo de música, qual artista ou grupo irá tocar nas rádios. Acho que não deveria existir esse tipo de pedágio para artistas e músicos, sejam eles artistas já consagradas, alternativos ou independentes.

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