Entrevista Fernanda Noronha – parte 1

Quando trabalhei na BIF, rádio universitária da faculdade onde me formei, pude escutar muitos discos. Um deles foi o de Fernanda Noronha, irmã de uma colega (Clarrisa Noronha) de rádio e do curso de Jornalismo. Gostei e ponto! Bem produzido, bem cantado, boas letras. É isso que busco, muito mais do que as pseudo-originalidades que ouço por aí. Fiz uma entrevista com Fernanda e disse que publicaria quando editasse minha revista em Salavador. Sonha, meu filho! Bom, abaixo a primeira parte de duas da entrevista com essa cantora. Espero que o segundo álbum saia logo.

1. COMO COMPOSITORA, O QUE GERALMENTE FAZ PRIMEIRO: A LETRA OU A MÚSICA, OU OS DOIS AO MESMO TEMPO?

Fernanda: Bem, no processo criativo das minhas canções eu não tenho uma forma definida. Às vezes eu faço a letra primeiro ou então eu começo pela música. Às vezes meu parceiro começa a fazer uma letra em casa e me traz para terminarmos juntos tanto a melodia quanto a letra e vice-versa e também tem vezes que fazemos a letra e a música ao mesmo tempo. É muito natural esse processo. Normalmente eu e o Jair Luz, que é meu parceiro em quase todas as canções que compus, separamos dois ou três dias na semana e sentamos para compor e passamos uma tarde inteira ou um dia inteiro compondo. Num dia fazemos três a quatro canções e assim vai vamos construindo pequenos mundos de sílabas e sentimentos.

2. O QUE SIGNIFICA COMPOR COM UM PARCEIRO? JÁ ABRIU MÃO DE UMA IDÉIA QUE CONSIDEROU BOA, POR CAUSA DA OPINIÃO DO PARCEIRO?

Fernanda: Compor com um parceiro para mim significa um casamento e como já é sabido, em qualquer relacionamento, é necessário que haja respeito, cumplicidade e até mesmo renúncia, mas acima de qualquer coisa é preciso que haja um ideal comum entre os mesmos. Sabemos que cada compositor traz um mundo particular e cada um tem suas respectivas idiossincrasias, mas os parceiros precisam compreender que esses mundos diferentes podem e devem se unir num mesmo propósito, partilhando idéias, renunciando suas próprias opiniões algumas vezes, mas buscando o bem comum. Eu quando componho penso dessa forma, mas é claro que no meu caso com o Jair, temos de vez em quando uns “arranca rabos”, que é comum, já que somos dois cabeçudos cheios de sonhos e idéias que querem explodir a cada momento, mas já abri mão de uma idéia que considerei boa por causa da opinião dele e vive-versa.


3. FALE UM POUCO DO PRÓXIMO DISCO. VAI HAVER ALGUMA DIFERENÇA ARTÍSTICA EM RELAÇÃO AO PRIMEIRO OU VAI SEGUIR A MESMA LINHA?

Fernanda: Bem, eu pretendo fazer o próximo disco no ano que vem, se tudo der certo. Como sou uma cantora-compositora, provavelmente o CD será autoral. Como sou uma cantora de música popular brasileira, não tenho restrições se por acaso vou cantar uma bossa nova, um samba, um rock, um funk, um chorinho ou um reggae. O universo da MPB é muito amplo e isso é muito bom. Vejo por exemplo a Marisa Monte. Apesar de ser, vamos dizer, “classificada” como um cantora de MPB, ela canta samba, ela canta rock etc…. Então o meu perfil é a “diversidade”, é a pluralidade musical. Como no primeiro álbum, é bem notável essa pluralidade, acredito que não vou fugir desse propósito. Possa ser que eu venha gravar uma música minha em outra língua. Isso também poderá ser possível, mas não tenho nada ainda definido, são apenas idéias que precisam amadurecer.


4. VOCÊ TEM TRABALHADO PROFISSIONALMENTE COM MÚSICA, SEJA EM PRODUÇÃO, FAZENDO SHOWS ETC?

Fernanda: Sim, aliás eu tenho feito isso desde os 15 anos de idade e nunca mais parei. Eu vivo de música. Trabalho como cantora, compositora e produtora. Meus shows por enquanto estão no formato “voz e violão”. Algumas vezes eu me apresento com um “quarteto” mas com “banda”, devo preparar esse formato para o lançamento do próximo CD. Como produtora, tenho estado na gravação do Cd do meu parceiro Jair Luz. Esse álbum deverá ficar pronto ainda esse ano mas estou ficando muito contente com os resultados. Estou fazendo a direção vocal e artística juntamente com o mesmo.

5. PARA VOCÊ, EXISTE UM HIERARQUA ENTRE MÚSICA E LETRA? ALGUMA É MAIS IMPORTANTE?

Fernanda: Não existe para mim uma hierarquia entre letra e música. Considero que ambas são importantes e formam um enlace divino. Claro que a música existe sem a letra bem como a letra existe sem a música, mas uma melodia bem construída acompanhada de uma letra inspirada formum casamento perfeito e faz um bem pra alma…

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