Os 50 anos da garota material

Para quem está chegando agora no Vinil Digital, deve estar achando estranho tantas postagens do mês de agosto. Bom, todos estes textos foram escritos para meu meu outro blog, atualmente extinto. Resolvi, então, republicar parte das postagens. Esse é o novo Vinil Digital, que tem como primeiríssimo post uam análise rápida sobre Madonna.

Muita coisa vem por aí. Espero que este blog seja uma ponte binária de discussões, debates, dicas, trocas culturais. Bem-vindos!!!   

Ela vinha descendo as escadas em um vestido longo e rosa. Duas fileiras de homens aos seus pés. Sua imagem era um pastiche de Marilyn Monroe no filme “Os Homens Preferem as Loiras”, mas era Madonna. E foi com esse clipe, de 1985, que eu, pela primeira vez, senti as emanações dos hormônios circularem as veias e a mente. Eu tinha por volta dos 8 anos de idade. Hoje, tenho 30 e Madonna acabou de fazer, no dia 16 de agosto, 50 anos.

Seus clipes causaram polêmica e serviram de inspiração para outros artistas.. “Like a Prayer” (1989) desafiava os dogmas da Igreja ao colocar um santo negro apaixonado pela musa. “Vogue” (1990), dirigido pelo cineasta David Fincher, exala luxo e sensualidade. As feministas retrógradas odiariam “Express Yourself”: muitos músculos para o gosto delas. Aliás, qual clipe de Madonna as feministas ultrapassadas não odiariam? E ainda tem “Fever”, que o Red Hot Chili Peppers copiou em “Give it Away”; suas imagens são, novamente, fortes e sexuais. “Erotica” é sadomasoquista e bissexual. E tantos outros que se tornaram clássicos. Os vídeos de Madonna sempre trazem a provocação e a mudança estética.

Por mais que eu não veja Madonna como uma das minhas artistas prediletas (teve um momento que eu fui do time de Cindy Lauper), é inegável que ela é fundamental para a cultura pop, ou melhor, para a cultura.. No livro “Sexo, Arte e Cultura Americana”, a antropóloga Camille Paglia (que em artigo recente, fez elogios rasgados a Daniela Mercury) disseca a importância da artista: músicas, clipes, atitude, moda. Não se pode acompanhar a evolução dos costumes sociais, nesse caso o sexo em primeiro lugar, sem citar Madonna como referência. Mas, atualmente, parece que Madonna, aos olhos da intelectual, perdeu o posto de “futuro do feminismo”. Camille criticou duramente a capa do novo disco da cantora, “Hard Candy”: “…com aquela virilha exposta de forma ostensiva e a cara toda chupada, a revirar a língua (…), insistindo no sexo como se este fosse a última e desesperada razão para alguém comprar [discos dela]”.

Quando Marília Gabriela citou, em uma entrevista, que achou Madonna mais esperta do que inteligente, quando a entrevistou, isso me pareceu implicância por algum detalhe. Mas acho que a observação da jornalista é pertinente. Madonna, para mim, a despeito da sua importância no cenário cultural, possui mais o instinto para a transgressão do que uma observação “erudita” dos costumes. Claro, sua visão de mundo moldou sua carreira, seus vídeos, suas letras, sua atitude corajosa. Nisso há inteligência. Mas Madonna, mesmo tendo total consciência de tudo que representou, tem muito menos substância do que dois representantes da nossa cultura que moldaram um movimento que mexeu com a estrutura da nossa música e sociedade: a Tropicália. Os dois artistas, vocês sabem quem são.

Nesses 50 anos da sempre em forma Madonna, precisamos nos perguntar o que ela ainda traz de idéia para o mundo da arte. Será que ainda vale tudo que gira em torno dela? Será que ainda permanece uma artista provocadora, desafiadora? Será que não se transformou em uma cópia de sua própria ousadia? Os últimos trabalhos da artista que ouvi e vi (clipes) me agradaram, mas já não me parecem tão instigantes quanto antes. Li alguns textos sobre “Hard Candy” que foram elogiosos. Eu gostei, mas não colocaria entre os melhores da minha discoteca este ano.

Enfim, quando falamos de Madonna é preciso estar atento ao próximo passo. E de qualquer forma seu passado merece extremo respeito.

 

 

O favorito

Vocês já sabem que eu gosto de novela. E como qualquer produto dramatúrgico, para mim, tem de possuir qualidades básicas, como boa história, personagens bem construídos e uma direção que entenda a proposta do autor (caso não seja o próprio que dirija seu texto).

 

A Favorita, nova novela das 21h, da Rede Globo, escrita por João Emanuel Carneiro (o mesmo de Da Cor do Pecado e Cobras & Lagartos), tem todas essas qualidades. Já nas chamadas, antes do folhetim começar, as duas atrizes principais me chamaram a atenção. Quem estaria falando a verdade? Como o autor revelaria esse segredo?

 

Embora eu, desde o começo, tivesse apostado na inocência das duas, não achei ruim ser Flora a assassina. O autor conseguiu, de forma coerente, transformar Patrícia Pillar na grande vilã da trama. Dessa forma, revelou o mistério que ficaria para o final. E, como dizem os especialistas, subverteu a lógica dos folhetins. Agora, é Donatela (Cláudia Raia) quem precisa provar sua inocência, após armação de Flora.

 

Outra coisa interessante da trama é a falta de pares românticos e suas intermináveis idas e vindas. Há romance, sim, mas não como centro da história. Isso é algo diferente.

 

Mas o que mais me espanta é saber que A Favorita estava perdendo em audiência para Os Mutantes, da Record. Nada contra esse tipo de ficção. Sou apaixonado pelo Senhor dos Anéis, X-Men e por aí vai. Mas, pelo que pude constatar, Os Mutantes não passa de uma salada sem pé nem cabeça.

 

João Emanuel Carneiro é quem é o mutante da vez, já que conseguiu oxigenar as tramas das 21h. 

 

Meu herói predileto ficou no passado

Shia LaBeouf e Harrison Ford

Como já comentei em algum post lá por baixo, Harrison Ford é meu ator predileto e seu personagem, o arqueólogo Indiana Jones, vence qualquer super-herói, até mesmo meu adorável Homem-Aranha.

 

Indy continua sendo um dos meus personagens mais queridos…talvez o MAIS, mas ver esse novo filme do professor de arqueologia foi nada menos que decepcionante. E esperei muito por isso! Harrison, no alto dos seus 65 anos, mesmo em plena forma, não consegue passar a energia, a habilidade, o gestual que envolve as quedas e brigas. Nem mesmo o seu cinismo é tão convincente. Indy está visivelmente cansado.

 

As primeiras cenas são empolgantes e quando vi Indiana ser derrubado no chão, para logo depois pegar seu chapéu, senti emoção. Logo em seguida, a ação dentro de um galpão, também se revela empolgante. Mas o que vem a seguir é um Indy melancólico, triste pelas perdas já sofridas. Coisa que a idade se encarrega de fazer com nossa história pessoal. E isso me deixou triste. “Chega um momento em que você deixa de ganhar e começa a perder”, diz um amigo da universidade onde Indy ensina.

 

O roteiro, que é assinado também por Georges Lucas, traz uma mistureba (até aí tudo bem, faz parte da magia!) que envolve alienígenas e um povo primitivo da Amazônia e não consegue conter liga suficiente para amarrar os fatos expostos. Teve um momento no qual achei que estivesse assistindo Contatos Imediatos do Terceiro Grau (outro filme de Steven Spielberg).

 

Gostei de Shia LaBeouf (Mutt Williams), o filho revelado de Indy. O rapaz, que fez Transformes, é bom ator e contracenar ao lado de Harrison não intimidou o jovem. Já Cate Blanchett parece que saiu de uma caixa de bonecas. Está muito caricata! Por fim, Karen Allen (Marion Ravenwood) não consegue imprimir o jeito malandro que apresentou no Caçadores da Arca Perdida (primeiro longa da série)…talvez por que já não tenha a mesma idade. Ela e Indy já não têm a mesma tensão sexual. Claro que não posso esperar a mesma atitude do casal, mas a química se exauriu.

 

Quando comecei a ler as notícias sobre esse novo filme, li que o quarto filme só seria feito caso o roteiro fosse o melhor dos quarto. E mesmo que fosse não garantiria que seria o melhor dos filmes. Mas, infelizmente, nem o roteiro nem o filme são bons. Seguramente é o pior. E mais do que isso, é ruim. Porque podia ser o mais fraco, e ainda ser um bom filme. Não é. Fiquem com os outros três, que já entraram para os clássicos dos filmes de aventura e transformaram Harrison Ford no maior ator de ação de todos os tempos.

 

 

 

 

Trair é tão humano quanto se apaixonar

 

Muitas mulheres e homens já sentiram a dor da traição. Eu, quando tinha 14 anos sofri na pele esse desgosto. Mas, por mais que soframos com ela, temos que aceitar que ela faz parte da natureza humana. E hoje, com a independência cada vez maior das mulheres, é possível ler que os dois sexos quase traem com a mesma intensidade. Os homens ainda ganham. E vencem por um pequeno detalhe: a biologia.

 

Não defendo o ato de trair (eu, acreditem ou não, nunca precisei chegar a tal ponto da existência), mas aceito a traição como natural e às vezes necessária para que possamos constatar a importância que o outro tem em nossas vidas. Há traição quando falta algo, quando um buraco (perdão pelo trocadilho) precisa ser preenchido ou mesmo porque somos uma espécie que necessita da diversidade e do eterno sabor de estar apaixonados. E mesmo quando amamos e somos felizes, a possibilidade ainda existe.

 

Lembro de um caso contado por um tio meu. De acordo com ele, uma jovem bonita, bem casada, mãe de dois filhos, e que acabara de adquirir um belo apartamento, encontrou em um supermercado seu futuro amante. Desfez-se da família modelo e foi viver essa experiência. Não terminou bem, pois o amante partiu e terminou a relação. O que aconteceu depois, não sei.

 

Não estamos imunes a essa dor. O que precisamos fazer, no meu entendimento, é cuidar da relação diariamente e tentar suprir as necessidades do parceiro, para que ele não enxergue o muro do vizinho ou a mesa do colega de trabalho como possibilidades de satisfação. Elogio, gratidão, carinho etc. Falo de sexo também, claro. Ele é fundamental para oxigenar qualquer união. Precisa ser criativo, surpreendente etc. No sexo, vale mais a pornografia (cada casal com suas predileções) do que a cena quadrada de uma novela.

 

Estar com alguém é algo maravilhoso. Ser amado por esse alguém, melhor ainda. Acredito que é possível ser da mesma pessoa a vida toda. Isso só será real, se houver atenção diária.

 

Não dar comida aos peixes ou deixar de regar as plantas, todos nós sabemos aonde levará.   

 

E qual é a sua opinião sobre a traição?

 

Chama eterna

Antiga formação

Em 1989 a novela “Que Rei Sou Eu?”, exibida pela Rede Globo, possuía uma personagem chamada Juliete (que virou febre entre os nomes de bebê). Juliete era princesa em um castelo no reino de Avilan. Bom, mas não é da novela que eu venho falar, tão pouco da personagem de Cláudia Abreu (atriz que adoro), mas sim do tema de Juliete. Sim, da música que embalava as cenas da linda princesa.

 

A música é “Eternal Flame”, está no álbum “Everything”, do ano de 1988, da banda nascida em 1981, The Bangles, formada, atualmente, por Susanna Hoffs, vocal e guitarra; Vicki Peterson, guitarra, vocal e baixo e Debbi Peterson, bateria vocal e baixo. Outros integrantes foram Annette Zilinskas, baixo e vocal (1981-1983) e Michael Steele, guitarra, baixo e vocal (1983-1988, 2000-2005)

Everything, de 1988

Quando ouvi pela primeira essa música, gostei imediatamente. Uma balada muito bonita, sobre a eterna chama da paixão e do amor. A voz de Susanna Hoffs é doce e límpida, como um córrego. E para não ser injusto, todas as meninas cantam muito bem.

 

Ultimamente, com o revival dos anos 80, tenho escutado os discos do Bangles, que não conhecia mais profundamente e tem ótimas canções espalhadas por eles. “Manic Mondey”, “Walk Like An Egyptian” e “If She Knew What She Wants” são algumas delas.

Quem quiser conhecer o Bangles pode começar por uma coletânea chamada Eternal Flame – Best Of Bangles. Tem todas essas músicas e muito mais, além do sucesso solo de Susanna Hoffs, “My Side Of The Bed”. Por sinal, escutem esse disco de 1991, que se chama “When You Are A Boy”. Além da música já citada, tem outras pérolas pop, como “Unconditional Love” (Linda, por sinal).

 

A chama ainda queima. Para mim, pelo menos.

 

A pornografia pode se tornar mais uma forma de expressão dos atores

A pornografia sempre fez parte da nossa humanidade. É essência da nossa mais crua e sexual realidade. Pensemos na Roma antiga, não é? Não podemos negar a força do sexo e suas mil faces. Ele, que nos ronda a cabeça com suas fantasias – as que podemos e as que não podemos contar.

 

Quando comecei a ler Camille Paglia, em livros como Sexo, Arte e Cultura Americana, uma martelada me acordou para aquilo que já sentia. Então, pude constatar que o que eu pensava tinha algum sentido.

 

Questões como estupro, traição e pornografia começavam a se transformar em idéias com mais consistência argumentativa. Quando eu falava sobre o assunto, já me sentia seguro em ligar esses temas a áreas do conhecimento como biologia, antropologia e psicologia. Fica a dica: vão atrás dos livros de Camille e tirem suas conclusões.

  

Camille Paglia e seu livro

Mas vamos à pornografia feita por celebridades, que é o tema que gira por essa postagem.

 

Todos, ou quase todos, sabem que personalidades como Alexandre Frota, Gretchen e Rita Cadilac entraram no ramo dos filmes pornográficos. Para essas pessoas, que não possuem prestígio artístico nas áreas onde atuam, a seara dos filmes pornográficos pode se tornar um caminho fácil para se ganhar dinheiro e fama. Rita Cadilac já afirmou que aceitou apenas pelo dinheiro. Tudo bem, já que cada um faz com seu corpo o que bem entender e nesse sentido sou completamente a favor da prostituição (não a imposta ou com crianças, deixo claro).

 

Agora é a vez da atriz Leila Lopes, que participou de novelas como Rei do Gado e Renascer, na TV Globo. A atriz, que já passa dos 40, e não é grande intérprete, também resolveu encarar esse tipo de produção. Pecados e Tentações teve uma festa de lançamento em São Paulo, no dia 14 de maio, se não me engano. Leila, em uma entrevista, disse ter se preparado para o personagem e chegou a chorar quando as filmagens terminaram.

 

Na entrevista que vi no You Tube, Leila Lopes disse que ela era atriz e que tinha o direito de se expressar seja no teatro, em novela, em um filme convencional ou mesmo em um filme pornográfico. Concordo. E fiquei pensando em produções como Império dos Sentidos, do Japão e Intimidade, da França. O primeiro é considerado uma obra-prima e o segundo, muito bom, traz consagrados atores em cenas de sexo explícito. Os dois filmes são cinema de qualidade inquestionável.

 

Será que um dia os filmes pornográficos também vão ser uma alternativa dramática para os atores “normais”? Não será nada mau ver Camila Pitanga ou Grazi Massafera em um deles. Claro, vamos pensar no roteiro, vamos pensar na iluminação, vamos pensar na direção. Vamos fazer cinema de verdade? Qual o problema? Os filmes pornográficos são muito mal vistos e têm fama de denegrir a imagem das mulheres e transformar os homens em máquinas de gozar. Claro que nem todos são assim e é óbvio que existe o preconceito por parte de muitos. Mesmo que esses “muitos” aluguem ou baixem pela internet.

 

Creio que os filmes de sexo explícito são a salvação para os casais, ou parte deles. Penso que podem ajudar na condição freudiana do homem e fazê-los para de procurar garotas de programa, ou qualquer outra garota, para satisfazer seus instintos bestiais. Aqueles desejos que não conseguem praticar com a própria esposa, talvez porque enxerguem o reflexo da mãe. Outro lado bom da pornografia é o estímulo à novidade, à excitação etc.

 

Há os que digam que a pornografia vicia. Sim, não são poucas as pessoas que foram pegas pelo vício da pornografia na internet, por exemplo. Claro, com isso, existe a propensão da destruição de um relacionamento. Mas, isso é um dos lados. Como toda cultura humana, que traz coisas maravilhosas e trágicas na sua formação. A pornografia é mais uma vítima da mediocridade humana, da falsa moralidade e do desrespeito à nossa frágil condição humana. 

 

Bom, acho que já me alonguei demais. O fato é que a pornografia devia ser levada mais a sério, encarada como parte dos nossos instintos básicos e fundamentais, porque é sexo. Se um dia a pornografia mais elaborada fizer parte da vida profissional dos nossos atores, acho que será um avanço na maneira como enxergamos o sexo. Leila Lopes pode ter dado um passo para tal mudança.

Uma paixão eterna

Joss Whedon ao lado de Sarah Michelle Gellar e do elenco

 

Desde que me lembro, eu, pequeno na cadeira da escola, gostava de desenhar uns rostos redondos com dentes pontiagudos, que às vezes continham asas de morcego. Eram certamente próximos dos vampiros.

 

Essa introdução talvez seja uma espécie de presságio para o que seria (ainda é) minha futura paixão: Buffy, a Caça-Vampiros.

 

A primeira vez que vi Buffy foi em um filme medíocre que teve estréia no ano de 1992 e foi dirigido por um dos produtores executivos da futura série, Fran Rubel Kuzui. A heroína era interpretada por Kristy Swanson, mas o elenco tinha atores tarimbados e alguns que seriam consagrados alguns anos mais tarde. Eram eles: Donald Sutherland, Rutger Hauer, Luke Perry, Hilary Swank, Paris Vaughan, David Arquette, Ben Affleck, entre outros.

 

Se dependesse desse filme para me apaixonar pelo universo de Buffy, certamente não estaria escrevendo esse texto – apesar do roteiro do longa ter sido escrito pelo criador da série, Joss Whedon. O próprio Whedon disse, em entrevista, que o resultado final não foi aquilo que ele tinha pensado. O filme tem o colorido pop que todos conhecemos, tem a centelha do que viria ser o seriado, mas a qualidade do texto passa a quilômetros de distância da densidade do show televisivo.

Depois dessa frustrante estréia, cinco anos depois, mas precisamente em abril de 1997, Buffy, a caça-vampiros surge na televisão. A idéia de Whedon era subverter os conceitos, dar à loira – que sempre é perseguida pelo assassinos – poderes e extrema inteligência para destruir o mal. Nesse caso, vampiros e demônios. E até mesmo pessoas, embora Buffy nunca tenha matado um ser humano.

 

Leia o que Whedon disse certa vez:

 

“Eu criei a série para provocar essa reação forte, criei ‘Buffy’ para ser um ícone, uma experiência emocional, para ser amada de um modo que outras séries não conseguiam ser. É sobre a adolescência, a fase mais importante, quando se amadurece e se torna um adulto, e a série mitifica isso de uma forma tão romântica, que basicamente diz: ‘Todo mundo que sobreviver à adolescência é um herói’. E isso é bastante pessoal, que as pessoas sintam algo com a série que é tão real. Eu não poderia ser mais pomposo, mas eu tive essa intenção, eu queria que ela fosse um fenômeno cultural. Queria que houvesse bonecas, Barbies com faixas de kung-fu. Eu queria que as pessoas abraçassem a série de uma forma além do normal ‘é um ótimo seriado sobre advogados, agora vamos jantar’. Eu queria que as pessoas a tornassem interior, que fantasiassem de estarem na série, que fosse mais do que um seriado de TV. E nós conseguimos isso”.

 

O que Joss Whedon disse acima se aplica a mim! Ele realmente conseguiu!!!

 

A rede Globo começou a transmitir o seriado no mesmo ano, às 14h15min da tarde. A primeira vez que vi, simplesmente me apaixonei. Confesso que Sarah Michelle Gellar roubou meu coração, mas depois, com o tempo, os personagens e a mitologia da série me tomaram de um jeito que esse produto da cultura pop e todas as referências contidas nos episódios – da literatura aos quadrinhos, passando pelo cinema e filosofia – me absorveram como nenhum outro audiovisual.

 

Quando a Globo resolveu tirar a série do ar, eu me desesperei. Soube que tinha mudado para um horário “nobre” do início da manhã: às 5, mais ou menos. E eu ficava acordado, no afã de conseguir ver mais um episódio. E….nada! Não era sempre que passava. Aí, desisti e fui procurar informações em revistas (Sci-fi). Mais tarde, com a TV a cabo em casa, retomei minha missão e mergulhei novamente.

 

Passei a acompanhar semanalmente as aventuras daquela turma da cidade de Sunnydale, que se autodenominava Gang do Scooby. Muitas vezes ri das tiradas de Xander Harris (Nicholas Brendon), fiz cara de ternura com a inocência nerd de Willow Rosenberg (Alyson Hannigan) e me vi muitas vezes na pele de Rupert Giles (Anthony Head) por sua paixão pelos livros e quis ter um pouco da sua sabedoria do mundo mágico. Mas não me identifiquei somente com os “ditos” personagens bons – e vemos no desenrolar da série, que o “lado negro” faz parte deles também. Willow, na sexta temporada sabe muito bem disso. Talvez tenha sido a pior vilã que passou por Sunnydale.

 

Me identifiquei com o vampiro Spike (James Masters) em determinado momento, pela sua determinação em ser melhor e pelo seu passado de poeta não reconhecido. Angel (David Boreanaz) somos tos nós lutando contra nosso mostro interior. Cordélia, a adolescente preconceituosa, no fundo esconde uma compaixão pela pessoas. E por aí vai.

Um livro de filosofia foi escrito sobre a série: “A Caça-Vampiros e a Filosofia – Medos e Calafrios em Sunnydale”. Coordenado por William Irwin, a obra traz uma coletânea de textos que analisa a filosofia presente na série. Eu li duas vezes. Um dos filósofos diz: não posso fazer você gostar da série, é algo pessoal. Ele tem razão, mas para que se emita uma opinião razoável sobre as qualidades ou falhas do seriado, é necessário mais do que um “que historinha boba sobre vampiros e monstros!”. Particularmente, e serei redundante depois de tudo que já disse aqui, acho a série extremamente bem escrita, bem dirigida e com atuações grandiosas. Por isso peço aos que não conhecem, que vejam alguns episódios. Tenho certeza que Buffy já se estabeleceu com um dos clássicos da cultura (pop ou não, tanto faz).

 

Foram sete temporadas deliciosas. Esperava cada episódio com uma angústia incrível. Lia tudo que podia. Mas, chegou ao fim, em maio de 2003 com o episódio “Chosen”. Maravilhoso, chorei. Era o fim da série, mas podia ser reprisada sempre que eu quisesse (internet). Até hoje vejo Buffy e como todo universo, as descobertas nunca terminam.

 

 

Duas línguas no ouvido

Atualmente estou ouvindo repetidamente dois excelentes discos: Io Canto e Onde Brilhem os Olhos Seus. O primeiro é de uma Italiana, que já foi gravada por Renato Russo e Sandy & Júnior: Laura Pausini. O segundo, é de uma mineira, vocalista do Pato Fu: Fernanda Takai. Os dois discos são MARAVILHOSOS.

 

Não gosto muito de explicar a razão das minhas paixões, até porque acho que música (apesar de achar que gosto se discute) é matéria das sensações mais individuais e mesmo quando achamos algo relevante artisticamente, pode ser que aquele objeto não nos atraia tanto. Ainda assim, acho a crítica importantíssima. É ela que nos orienta, nos mostra detalhes não observados, filigranas de olhos que sabem do que falam – e crítica só é crítica, quando lemos um texto de quem conhece realmente do assunto. Isto posto, vamos às bolachas.

 

O disco de Fernanda Takai traz parte do repertório cantado por Nara Leão, antiga musa da música brasileira, e reconstrói as canções de uma forma irreverente, engraçada e ao mesmo tempo sofisticada. Parece Kistch, mas é muito chique.

 

As músicas foram retiradas de 20 discos de Nara. Luz Negra, de Nelson Cavaquinho, por exemplo, ganha um arranjo que remete a algo meio faroeste. Fernanda, com o álbum, não se afasta do universo do Pato Fu. Até porque os músicos da banda estão presentes nas gravações. Por favor, ouçam!!!

 

A voz aguda, meio adolescente de Laura Pausini, me traz sensações de amores de bairro, de encontros cálidos. Desculpem se sou vago, mas falo apenas as verdades das sensações. Talvez tenha essa impressão de Laura, por causa das músicas La Solitudine, Non C’è, gravadas em outros álbuns. 

 

Depois que escutei Io Canto, busquei todos os discos da cantora e depois de ouvi-los, cheguei a uma conclusão: Io Canto é o melhor de todos. Músicas como Nei Giardini Che Nessuno Sa e Spaccacuore mostram a potência da voz de Laura cortando as belas melodias. Para mim, é um disco lindo do começo ao fim. Prove mais do que pizza e vinho italiano, deguste muitas vezes Laura Pausini

Um novo clássico

Adivinhem o que estou ouvindo pela – talvez – 11ª ou 12 ª vez em três dias? Acertou quem disse Accelerate, o novo álbum do R.E.M.

 

Escutei a grupo pela primeira vez quando Losing my Religion estourou por volta de 1991. Pronto, que som era aquele? Quais eram os rostos daquele grupo? Será que eles faziam músicas tão boas quanto aquela? De onde eram? E por aí vai.

 

Alguns anos depois, pedi dois discos emprestados a um colega de 2º grau. Out of Time e Automatic for the People. Paixão imediata. Até hoje são dois dos discos que mais amo do R.E.M. Automatic for the People, por razões que dariam outras postagens, é possivelmente o que tenho mais carinho.

 

Depois destas audições, a banda seria a minha preferida. Comecei a ler tudo sobre o R.E.M. e descobri admiráveis posturas profissional e pessoal. Esses não tão garotos da Geórgia, Estados unidos, escreveram parte da música alternativa, deram novas diretrizes, influenciaram de Nirvana a Radiohead, passando pelo Live. São donos de um dos maiores contratos já existentes: 80 milhões de dólares com a Warner. São músicos fabulosos, simples, simples melodicamente, poderosos na execução e na interpretação das canções, letras inteligentes de um Michael Stipe tímido e ex-estudante de artes. Nerd genial, como já li a respeito de Mike Mills e concordo plenamente. São linhas de baixo e voz que me arrepiam. E o que são “aquelas” guitarras de Peter Buck? Amém.

 

R.E.M. vem com um disco acelerado, que tem ecos de anteriores como New Adventures in Hi-Fi, UP e até Around the Sun, de 2004, o trabalho anterior, que refletiu os atentados de 11 de setembro.

 

Accelerate é porrada das boas, soa pop e alternativo. Parece que já ouvimos aquelas músicas – tem gente que acha isso ruim. Eu amei o álbum e não paro de ouvir. Experimentem e depois me digam.     

 

Visite a página oficial da banda aqui 

Entrevista Fernanda Noronha – parte 2

6. VOCÊ UTILIZA O DOWNLOAD PARA ESTAR ATUALIZADA EM TERMOS MUSICAIS?
QUAL SUA IDÉIA SOBRE O COMPARTILHAMENTO DE MÚSICAS PELA A INTERNET? PODE AJUDAR O ARTISTA?

Fernanda: Bem, pra falar a verdade eu não utilizo muito o “download” para me atualizar musicalmente. Normalmente eu vou nas tradicionais lojas de Cds e vejo os álbuns que foram recentemente lançados. O que me interessa, normalmente eu compro e levo para casa para ouvir com calma e estudar. Com relação ao compartilhamento de músicas pela Internet, para o compositor, esses avanços tecnológicos algumas vezes acabam prejudicando-o porque uma pessoa vai na Internet e baixa uma música. Daí essa pessoa gosta da canção e envia a mesma para terceiros, faz cópias com essa música, pode até vender um Cd com essa música etc… quem irá recolher os direitos autorais do compositor? Dessa forma, a arrecadação de direito autoral fica cada vez mais dispersa e o autor é quem perde com isso. Para o intérprete, é mais uma forma de divulgação do seu trabalho e é um saldo positivo porque uma canção divulgada na internet passa a ficar mais conhecida ainda e vai para o mundo todo. Daí o intérprete fica mais conhecido, acaba vendendo mais shows e com um preço mais valorizado, já que o seu nome fica notório na mídia, com essa divulgação.

7. O QUE SIGINIFICA A MÚSICA COMO ARTE PARA VOCÊ?

Fernanda: Acho que a música pode ser vista como arte a partir do pressuposto que uma obra de arte exige que haja o cuidado desde a sua composição até a finalização da mesma. Quando uma música é elaborada com um critério de lapidação nos arranjos dos instrumentos, na direção vocal e quando se vê que houve uma preocupação especial com a mesma, eu vejo esse resultado como uma obra de arte, que pode ser apreciada e analisada por qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo. Acho que música deve ser vista dessa forma para quem trabalha com a mesma profissionalmente.

8. CITE ALGUNS ARTISTAS IMPRESCINDÍVEIS, AQUELES QUE VOCÊ REVERENCIA EM QUALQUER ÉPOCA, SEJA BRASILEIRO OU ESTRANGEIRO.

Fernanda: Bem, sem sombra de dúvidas a minha maior influência e meu “amor” é Stevie Wonder. Quem me conhece já sabe. Tenho todos os álbuns, camisas, caixinha de maquiagem com foto dele, DVD e o que mais alguém possa imaginar. Sou literalmente fã desse músico, compositor, intérprete e arranjador brilhante, mas também não posso deixar de mencionar outros grandes músicos que fazem parte da minha influência como intérprete e compositora, como por exemplo a Leni Andrade, a Elis Regina, a Sarah Vaughan, o Tom Jobim, o Chico Buarque, o Caetano Veloso e tantos outros. Acho uma injustiça eu não poder mencionar tantos mestres da música que eu já ouvi e tanto aprendi mas me lembrei desses agora.

9. VOCÊ UTILIZA OUTRAS ARTES PARA ALIMENTAR SUA MÚSICA (LITERATURA,
PINTURA ETC)? PARA VOCÊ, AS ARTES ESTÃO LIGADAS, APESAR DAS DIFERENÇAS ÓBVIAS?

Fernanda: Sim e uso muito a literatura como alimento para a minha música. Sou formada em Letras com inglês, então eu gosto demais de literatura. Sempre quando eu acho que meu vocabulário vai ficando meio “mixuruca” eu pego meus livros de literatura e me derramo nas poesias, contos e versos dos poetas brasileiros e portugueses. Depois as idéias fluem de uma forma tão rápida... mas o poder da leitura faz isso... permite que o processo criativo seja mais fecundo e é um alimento muito bom para o compositor. Com relação à segunda pergunta, acredito que há sempre relação entre as artes. Todas as artes são geradas ao redor do universo e para o universo… também acredito que todas as artes se originam de um mesmo processo que é a criatividade, seja ela a obra literária, a obra lítero-musical, a pintura etc….acho que as mesmas fazem parte do mesmo “inconsciente coletivo”  e existem porque provocam reações e sentimentos distintos no universo de cada indivíduo.

10. FALE SOBRE O JABÁ NAS RÁDIOS. O QUE SIGNIFICA PARA VOCÊ?

Fernanda: Bem, esse assunto é um pouco delicado para se comentar. Eu, particularmente, nunca precisei pagar “jabá” nas rádios. Quando minha música de trabalho foi tocada nas rádios, os tramites de divulgação foram feitos entre minha gravadora e as rádios. Acho que música é algo tão grandioso, um meio tão divino e universal de comunicação que todas as “boas” canções (Falo “boas” quando a letra e a melodia são elaboradas respeitando o ouvinte, sem uso de impropérios e linguagem capciosa) deveriam ser tocadas nas rádios e nos veículos de comunicação sem qualquer ônus. O jabá acaba prejudicando aqueles artistas que têm talento mas não têm recursos e por vezes um artista deixa de mostrar o seu talento por não ter dinheiro e o pagamento desse jabá acaba definindo que tipo de música, qual artista ou grupo irá tocar nas rádios. Acho que não deveria existir esse tipo de pedágio para artistas e músicos, sejam eles artistas já consagradas, alternativos ou independentes.